quinta-feira, 23 de agosto de 2012

segredo do homem de Deus

 

 
Caio era um jovem do interior e sonhava com o ministério na obra de Deus.
Enchiam-lhe a alma as palavras de Jesus, que nos enviou a pregar pelo mundo afora. Cada vez que as lia, seu coração ardia e se imaginava desbravando fronteiras, a levar a bandeira do Evangelho de Cristo.

Sendo, no entanto, jovem e estando em um mundo com tantas seduções, vivia atormentado pelos maus pensamentos e, profundamente decepcionado, por vezes se surpreendia sendo arrastado pela força dos instintos da carne.
Falava o que não devia; sentia o que não devia; pensava o que não devia, caindo em si quando já era tarde.
Atormentado pelo remorso, via seu sonho cada vez mais distante. “Como dominar a carne e vencer a si mesmo? Será isso possível?”, pensava Caio.

Foi nesse tempo que resolveu passar as férias na casa de seu tio, um verdadeiro homem de Deus, que pregava o Evangelho na grande cidade de São Paulo. Durante o caminho, o jovem foi carregando a questão que lhe afligia a alma: “Como dominar a mim mesmo?” Mal podia esperar a hora em que perguntaria isso ao tio.

Não tardou a chegar ao destino e, depois dos cumprimentos, pediu a atenção do tio para o assunto que o trazia.
— Meu tio — disse ele — venho de longe para buscar contigo o segredo que tens para viver a vida sem se deixar levar pela carne, já que há tantos anos prossegues em teu caminho, sem nunca alguém ter ouvido que tenhas caído.

O tio compreendeu e prometeu ajudar, porém estava na hora da reunião da noite, na igreja, e não podia demorar.
Convidou então Caio para acompanhá-lo.
Depois da reunião, incansavelmente, o pastor atendeu o povo, ouvindo com atenção e dando conselhos, sempre com base na Palavra de Deus.
Quando era já bem tarde, após todos terem saído, os dois rumaram para a emissora de rádio, onde o pastor fazia seu programa todas as noites.
Bem mais tarde, cansados, foram dormir.

Na manhã seguinte, quando Caio acordou, encontrou o pastor já pronto para ir à igreja.
Tomaram o café, sem demora, e lá se foram os dois juntos.
O dia na igreja, desde a manhã até a noite, era continuamente ocupado.
O pastor ora estava nas reuniões, ora aconselhando o povo; ora atendendo alguém por telefone, ora ensinando os obreiros; ora planejando o evangelismo nos arredores, ora organizando a visita ao hospital do bairro; escrevia ainda os testemunhos para o jornal e, então, já era hora do programa pelas ondas do rádio.

À noite, Caio, exausto, dormia profundamente.
Os dias voavam e o jovem cada vez mais se envolvia.
O ritmo do tio era contagiante e suas atitudes e conversas eram sempre cheias de fé e ânimo.

Ao meio-dia, sentavam-se à mesa para uma refeição simples, porém farta.
Em seguida, o pastor descansava por uma hora e, refeito, levantava-se para a jornada da tarde.
Sete dias na semana, quatro semanas no mês.
Não reclamava; era feliz demais para isso.
Sua esposa o seguia no mesmo passo; os dois, juntos,
completavam-se. Parecia que podiam ter uma conversa de mil palavras só com a troca de olhares ou um pequeno sorriso.
O ambiente era sempre agradável, ainda que muito ocupado.
Os dias passavam sem demora e as férias de Caio acabaram, sem que desse conta.

Ao se despedir do tio, este lhe perguntou se ainda queria saber o segredo do ministério.
Com surpresa, Caio notou que havia esquecido a pergunta, tanto quanto os maus pensamentos, sentimentos e fraquezas e, assim, encontrara a resposta:

uma boa esposa e a vida completamente sobre o altar era o simples, mas infalível, segredo do homem de Deus.

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