Esta história aconteceu na roça.
Alfredo criava porcos e tinha um trato com os habitantes da pequena cidade em que vivia:
os moradores o ajudavam na alimentação dos animais e, no momento do abate, os porcos eram divididos.
Metade ficava com ele e a outra era repartida entre a comunidade.
Um dia, porém, achando que não estava lucrando com aquele acordo, Alfredo ficou pensando numa forma de não dividir um enorme leitão, do qual tratara com todo cuidado e
que já estava para ser abatido.
Diante desse dilema, resolveu desabafar com seu compadre:
— O povo trouxe a lavagem para dar ao porco, ele engordou e eu prometi que repartiria o bicho, mas não estou querendo dividir essa belezura de leitão — revelou o criador, apontando para um gordo suíno.
— Faz o seguinte: mata o porco, pega a sua parte e coloca a outra pendurada no açougue.
À noite, quando não tiver mais ninguém na rua, você vai lá e rouba.
No dia seguinte, quando perguntarem, mostre-se surpreso e compadecido com o povo, que, infelizmente, perdeu a sua
parte do porco.
— aconselhou o compadre.
— Boa idéia!
— comemorou o criador.
E assim fez: abateu o leitão e dividiu em duas partes.
A sua metade sapecou com bastante miúdo e lingüiça, e a metade dos moradores pôs pendurada no açougue, tal como havia combinado.
Só que, tarde da noite, quem apareceu para roubar o leitão foi o tal compadre.
Quando o criador chegou, a surpresa:
O porco havia sumido.
No dia seguinte, ele estava realmente tão surpreso com o sumiço do animal quanto toda a cidade.
Inconformado com o fato, e sem poder falar com ninguém, foi procurar o compadre, para se lamentar.
— Compadre, sabe que eu pendurei a banda do porco no açougue, conforme o senhor me aconselhou, e não é que roubaram o bicho antes de mim?
Ontem, quando vim roubar, já não tinha leitão nenhum!
— desabafou ele.
— É isso mesmo, compadre.
Para todo mundo você diga a mesma coisa
— disse o homem.
— Mas o senhor não está entendendo!
O porco foi roubado mesmo!
— emendou ele, desesperado.
— Eu sei que roubaram, compadre.
E como sei!
— retrucou, sorrindo.
E assim ficou a história.
O criador de porcos acabou sendo pego pela própria mentira e saindo no prejuízo, já que a cidade se juntou e exigiu que ele desse a sua parte do leitão, pois o culparam pelo sumiço da outra metade.
Ele pretendia agir de má-fé, para se dar bem, e no final das contas ficou sem nada.
A Bíblia ensina que o diabo é o pai da mentira, e quem prefere viver segundo a sua cartilha sempre se dá mal.


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