Em certo inverno, uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger do frio e sobreviver, começou a se unir, juntando-se mais e mais.
Assim, cada animal podia absorver um pouco do calor do corpo do outro, e todos juntos, bem unidos, agasalharam-se mutuamente, aqueceram-se e puderam enfrentar por mais tempo o inverno tenebroso.
Aos poucos, porém, os espinhos de cada porco-espinho começaram a ferir os companheiros mais próximos.
Justamente aqueles que forneciam calor vital, naquela altura uma questão de vida ou morte.
Então, precisaram se afastar, feridos, magoados, sofridos.
Dispersaram-se por não suportar mais tempo a dor que lhes causavam os espinhos dos companheiros.
Mas essa não foi a melhor solução.
Afastados, separados, logo os porcos-espinhos começaram a morrer de frio.
Os que não morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeitinho, cheios de precaução e de tal forma que, embora unidos, cada qual conservasse uma distância mínima segura do outro, mas suficiente para extrair calor e sobreviver sem magoar nem causar danos recíprocos.
E assim, suportando-se, resistiram ao frio e sobreviveram.
O melhor grupo não é o que reúne membros perfeitos, mas aquele em que cada um aceita os defeitos do outro e consegue perdão pelos próprios defeitos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. Mateus 5:7


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